domingo, 31 de julho de 2011

NOSSOS POETAS


ENTRE OS ESPAÇOS
Anna Peralva



Para que tanta vaidade
nas faces mascaradas?
Por que tanta leviandade
no sopro vil das palavras
que esfolam sentimentos?

Ah, meu pobre tempo!
Tão breve é seu percurso,
quão pesada fica sua carga
com gemidos e soluços...
Tão volúvel é o ser humano
que vegeta de forma amarga
e faz sua cruz bem mais pesada!

Prefiro minha cara lavada
revelando todo o meu sentir,
minh'alma ávida buscando paz
e meu olhar insistindo no porvir.

Não vejo a existência como "um tanto faz",
onde tudo é fugaz e só o hoje interessa
e, amores são jogos de interesses
num instável ir e vir...

Não acolho meias verdades
ou consinto nos sons da mentira.
Sou o princípio do nada
e o fim de tudo, sou semente
que renasce, vestida de sensibilidade.

Estou sempre entre os espaços
e no trajeto da caminhada,
posso alterar a rota dos meus passos.
Sou dona da minha vontade!

Sou passado desenhando futuro,
mas dele não tenho pressa,
vou esboçando com cuidado
toda sensação guardada, vivida...
Não armazenarei desencanto!

Quero um agora com sonhar puro,
vivenciar cada temporada permitida,
sentir os perfumes das estações
e livre, soltar minhas emoções, ser poesia!

Para que no adiante, não tenha o olhar duro
ou seja, um pássaro engaiolado,
esquecido do próprio canto.
Não quero a cegueira induzida,
sendo sepultada viva a cada dia...

16/04/2009



Saudade que não morre
Angelo Sansivieri


E caminhamos juntos tanto tempo,
durante tanto tempo foste minha, fui teu.
Mas de um amor que parecia eterno,
tudo se foi, tudo adormeceu.

Hoje vives a pensar em outro,
sei que o meu amor já esquecestes,
não mais pulsa por mim teu coração
e o nome teu ainda murmuro,
a voz soluça num lamento vão.

O destino que um dia nos unira,
este mesmo destino sem piedade
foi se embora não mais voltou,
deixando apenas "Uma saudade".

Tão distantes agora um do outro,
dois estranhos apenas nada mais,
passas por mim altiva indiferente,
para outro homem, sei que vais,

Mas tu não sabes que quando, por ti passo,
sem ao menos te olhar,
a saudade que ainda levo comigo,
dentro da alma a chorar.

Uma pobre saudade dorida,
da esperança que você me deu,
uma louca saudade que não morre,
quando tudo morreu.



Essência
Ariovaldo Cavarzan


De priscas eras sou viajor,
retirado de um todo
e convertido em rastilho,
incandescido ao sopro do Criador.

Espraio-me por entre mundos,
ora irradiando luz
ora ofegando ao peso da cruz.

Sou corisco capilarizado,
seguindo em linha reta,
ou ensandecido em desvios laterais,
como se fossem teias,
ou sangue que corre nas veias,
quais rabiscos serelepes de luz,
esculpindo gráficos iluminados
em matrizes de escuridão.

Cada viagem minha,
comparada à eternidade,
é átimo de faísca elétrica,
ou de relâmpago que fende nuvens,
iluminando a vastidão.

Meu corpo é roupa emprestada,
a ser desvestida ao final de cada jornada.

Sou hóspede e aprendiz da vida,
buscando imprimir bom jeito
às coisas da lida,
para tornar cheio de paz
o meu peito.

Sou centelha divina,
minha essência é o amor;
sou laço, abraço,
alma, espírito, paixão.

Sou coração.



VOLTA...
Ary Franco

Esqueçamos nossas desavenças.
Temperemos nosso grande amor
Eliminando nossas diferenças.
Fundindo tudo num só calor!

Cada minuto passado e perdido
Jamais será por nós recuperado.
Ficarmos zangados não faz sentido.
Volta pra este coração apaixonado!

Já te dei provas do quanto te quero,
Já me dissestes o quanto me amas.
Julgavas que eu não era sincero,
Mas nossa paixão arde em chamas.

Por que e para que brigarmos?
Pensemos em algo bem maior:
Loucamente nos entregarmos,
Fazendo coisa muito melhor...

Maio/11



Contemplar da Luz
Auber Fioravante Júnior

A vela esta em chamas, chamas dançantes,
Idos dos cantadores de vento
Soando em agudos sentidos,
Como a voz transcendendo
Pelo inverno que chegou!

Lá fora, flores e árvores
Inventam um novo legado,
Aqui minhas letras deslizam
Por sobre meu rosto, entre as linhas,
Na origem da poesia em torpor!

Dando graças ao sentimento
Entregando-me a dor, deixando o poema
Por mim falar... Imprimido pelo silêncio
Mais uma dose, o contemplar da luz,
Meu estro te vendo em estrelas!

A comunhão,
Ficou em minhas mãos,
Na elegia dos tecidos,
Em confraria com as noites
Descendo calmas, feito o olhar
Que desde sempre aprendi a amar!

27/06/2011
Porto Alegre - RS



Quando voltar
by-Caio Lucas


Quando voltar, virei pelo mesmo caminho,
talvez com o rosto um tanto diferente,
mais sofrido, com mais saudade de nós,
mas ainda com o mesmo sentimento.

O tempo é império das lembranças,
guarda em mim, guarda em ti,
os amores e as cobranças de nós dois,
é como vingança do que não passou.

Quando voltar, vou curar todas feridas,
deitar teu amor no meu peito e parar,
até que a vida cesse para nós uma vez,
tudo vai passar, também a saudade.

Já não tenho medo do tempo, nem da dor,
a alegria passa e volta, como nós agora,
a verdade acalma quando tem sorriso,
só assim vivemos por inteiro este amor.

Quando voltar, não farei promessas,
só quero matar as saudades de tudo,
temos coragem de fazer novo de novo,
aceita e perfuma este amor sempre teu.

12/05/2010



Poetar
Carlos Lemberg


Poetar será
Sonhar ?
Delirar ?
Desejar ?
Amar ?
Revelar ?
Conquistar ?
Desejos e ou anseios do ser
O que sentimos de bom
Que em versos podemos escrever
Transmitido por esse divino dom
Emanar de dentro do nosso peito
Os sentimentos para esclarecer
Tudo de um certo jeito
Gestos e atitudes para bem viver

Curitiba – PR - 29/01/2006



INSONIA...
Catarina Ynen

Rolo pela cama
na esperança de que consiguir
meus olhos cerrar e a insônia dispensar.
Rolo pela cama,
não quero me atormentar, só quero em seus braços estar
Abraçadinha...Agarradinha ao seu corpo,
aquecida pelo calor que emana de sua pele.
Infatigavel do seu amor,
nessa noite sofrida,
cheia de tristezas e incertezas.

Acendo a luz e meu olhar vagueia...
As horas não passam.
Noite longa e interminável...
Neste infortúnio sinto-me invadida pela inquietude
querendo apossar dos seus carinhos e do seu amor...
Levanto-me, lentamente dirijo-me a janela
na esperança de poder avista-lo, todo dengoso,
meigo e carinhoso,
ardendo de desejos,
vindo em minha direção, asfixiar-me com seus beijos
tornando a noite mais bela e romantica...

O céu salpicado de estrelas!
Lua cheia, cúmplice dos namorados,
ilumina o meu quarto e mexe com a minha imaginação...
Dispara o meu coração, repleto de paixão e de tesão...
Olho com mais vagar
e deixo-me levar pela sedução da noite,
pelo suave perfume das flores,
penso em voce !

Penso no que sou e no que voce é !
Concluo que sou a praia e você é o mar!
Que sou branca e suave.
Você, ora manso, ora feroz, conforme suas vontades.
Ou será que sou uma pequena estrela
e você, a imensidão do céu.
Sou pequena porém sedutora!
Você porém, é a imensidão, o infinito...
Único!
Muitas vezes tranquilo e calmo,
outras vezes agressivo, aterrorizador como os raios que descarregam
toda a sua energia na terra ou no mar,
fazendo-me ofuscar ou obscurecer perante a sua descarga elétrica.

Sei apenas que o amo!
Sei que voce...Bem você...Será que também me ama,
como te amo ?!
Deve amar, sim!!
A verdade é que a praia não existe sem o mar!
O céu não existe sem as estrelas!
A terra não sobrevive sem os raios anunciando a chuva,
que molha a terra, fazendo renascer a vida.
Assim somos voce e eu...
Eu não sei sobreviver sem o seu amor
e você, acredito que não sobreviverá sem o meu amor!!



Meu Pecado
Cecília Carvalho (Cel)

Meu pecado foi amar,
deixar que o amor me tomasse
e em seus braços me levasse, com ele ...
Meu pecado foi querer,
sentir meu corpo ferver, na angústia do desejo,
e inebriar-se, na paixão ...
Meu pecado foi sofrer,
deixar-me levar pela paixão,
sentir no peito a dor da saudade, solidão amarga
dos que vivem só ...
Hoje voltei à minha tumba,
ferida, com pecados que me sangravam o corpo
e chorei ...

*** Labirintos da Alma ***



O SONHO
Cibele Carvalho


E meio às mais lindas flores
que num jardim já brotaram,
sonhou os mais belos sonhos
que as fantasias criaram.
O seu pensamento mágico
camuflou o que de trágico
havia em sua vida...
E ela seguiu sonhando,
como a bela adormecida.
Os ruídos, se havia,
a ela não atingiam
e as cores das mil flores
os seus sonhos coloriam.
Não sei se quer acordar
e com a dura realidade
de frente, ela bater...
Acho até que, na verdade,
ela pensa que sonhar
é bem melhor que viver.

RJ, 09/01/11



Soprando ao Vento
Cida Valadares


A noite ainda brincava lá fora, de escuridão..
O céu, porém, espreguiçava-se e sacudia as nuvens do amanhecer.
O sol piscava não querendo acordar, cismava e , sorrateiramente , uma nuvem o cobria, novamente...
Dentro em mim, porém, todo o lixo se punha à porta
Eu me encolhia, mais e mais, nada querendo mudar.
Malas prontas...levavam-me meus sonhos, esperanças e o futuro que me deixaram sonhar.
Mas... a noite acabara , o dia chegara e eu deveria acordar!
De repente.. o azul tingiu o céu e o sol brilhou
A natureza conivente , acordou
Voejavam pássaros e borboletas
Os risos das crianças enchiam o ar...
Espio, por uma fresta e meu olhar
Descobre que a manhã se infesta de uma bela festa!

Percorro meu corpo deslizando minha face, facilmente.
Num gesto intrépido adentro minha alma e sinto-na
cheia de calos.
Meu coração, coitado, a mim se alia, totalmente em frangalhos.

Elevo-me a Deus e em silêncio grito a minha prece.
E Deus me abraça e me roça a face por um interminável momento
E me sussura com o amor que jamais foi posto à prova
Aquieta-te, amada minha, faça como eu faço:
Dispa-te, de todo o teu tormento
E, também, de todo abandono e toda ingratidão.
Todo amor que quiseres, eu te dou!
Traga para tua vida somente encantamento
Sei que consegues...
Sopre... Sopre tudo que te faz doente.
Dou-te o vento, dou-te até um vendaval.
Para te ver feliz, amada minha.
E afastar de ti, todo e qualquer mal.

20/11/08



Saudade
Ciducha

Saudade... saudade da emoção
saudade da paixão
dos momentos vividos
que marcaram a vida da gente.

Às vezes parece o vento
que passa por nós como uma pluma
de quando em quando é turbilhão
tempestade, maremotos!

Saudade... brisa que carrega o passado!
E no fim de todo caminho,
Mistura-se a saudade
com a desilusão, a falta de carinho...

Nos corações vazios, meu e seu
Aloja-se a saudade,
na poesia que componho
misto de vida e de sonho!

E vou chegando ao fim...

Santos-22/05/2008



Amor Sonhado.
Delasnieve Daspet


És o amor sonhado...
Que de tão impossivel
Te tornastes uma meta!
Aquele amor que não toca,
Que nunca goza...um gozo a dois!

Um amor querido,
Sonhado,
Sem qualquer abraço,
Sem o orgasmo que alivia e acalma!

Mas o que quero eu ?
Sonhar o amor sonhado?
O amor do poeta?
Me envolver na chama
Sem saber do que a chama é capaz?

Amor sonhado!....
Me ensina a te reconhecer,
Me mostre o teu mistério,
Teu encanto.

Fala-me de teu corpo,
Da tua sensibilidade,
De tua alma,
Me ensina a te ver!...

O que te assusta?
Fale-me de ti:
De teus encantos.
Desencantos.
De tua solidão.

De como possuir teu corpo.
De como ter tua alma.
Enfim...
Fale-me de ti!
Meu amor sonhado,
Enfim......

Em Campo Grande-MS,
Em 29 de agosto de 2.000,às 18,30 horas.



Minha Alma
Elaine Ermel


Minha alma,selvagem e exótica,
Em sua docilidade e fragilidade aparente,
Simula sua têmpera!
Sou tua rainha!
Nessa ansiosa espera,
Exalo sexualidade latente!
Trago comigo segredos e mistérios
A serem revelados.
Vulcão impossível de ser contido,
Em lavas de amor ardo e queimo!
Te quero!
Decifra-me!



QUANTO CUSTA O AMOR ?
Eliana Ellinger (Shir)


Amor não tem preço.
Ele vem devagarinho,
toma logo seu lugar
e nunca mais vai embora,
pois amar nunca tem hora,
para em nós desabrochar.

Mas precisa ser assim :
Suave, puro, verdadeiro !
Tendo enchentes de paixão,
não será nem passageiro
nos despertando o vulcão !

Pode conter até saudade.
Sei, não é tão fácil curar...
Mas o que importa na verdade
é a riqueza, a grandeza,
pois amor não se compra, se dá !

Hazorea.il 17/09/2004



Grito !
Ferdinando Fernandes



Nas ruas tristes da noite, há gemidos
sobre as águas poluídas da indiferença
que rasgaram a calma ridente dos dias,
traçando rios sem palavras nem gestos,
sobre o amanhã que dizia mensagens.

Gritos de corpos caídos, desejos ficados
verdes no tempo, pois tudo se acabou,
numa tumba lisa, com coração crente,
onde o tempo desenhou jardins de auroras...
Hoje sem uma flor, nem uma lápide !

Corpos inocentes, que falavam do amanhã,
arremessados para a sombra do esquecimento
ao espanto da noite, no tremer dos ciprestes.
A vida olha agora, cansada de incertezas
sobre o rasgado cenário, de ter errado tanto !

Germany 18-02-11