( sextilhas
)
Peço
perdão
Eugénio de
Sá
Peço perdão aos
versos meus, exaustos
palavras que hoje
brotam dos socalcos
de degrau em
degrau, desiludidos.
Versos que outrora
me surgiam breves
nas dobras das
venturas que eram leves
que me foram
pesando nos gemidos.
Peço perdão
aqueles que me vão lendo
e que aos poucos
se vão apercebendo
que esta alma que
escreve está doente.
Os que comigo vão
sentindo as dores
que
lêm nos sofridos dissabores
entrelinhas ocultos, mas latentes.
Peço perdão ao
Deus que me criou
e, tal como eu,
não sabe aonde vou
no desbocado arfar
de mil andanças.
Vou - talvez
desvairado - por caminhos
que me
fazem tombar em desalinhos
perdido de
destinos e paranças.
Peço
perdão aos ventos do destino
que me fadaram
calhado pro atino
mas que
eu traí, omisso da razão.
Retorna a
mim, poesia redentora
invade-me de ti,
que és sonhadora
e apazigua-me esta inquietação.
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