VIDA
QUE BROTA...
Anna Peralva
Preparei a terra para o
cio.
Limpei-a do desamor e da
descrença,
decepei o egoísmo e a
vaidade.
Procurei a semente
compatível
e entreguei-me de coração
aberto.
Confiei na fase da
fecundação...
Desfolhei o
bem-me-quer,
desfiz as dúvidas e os
medos.
Fui pura magia de amor e
renúncia.
Semeei sonhos e
ilusões,
cuidei para que tudo desse
certo.
A espera era
ansiosa,
porém cheia de
esperança
pelo florescer de um pedacinho
meu...
Abneguei das curvas do meu
corpo
para que nele se
aconchegassem
e crescessem.
Revesti meus dias de
fé,
iluminei essa mágica
estação,
esperei...
Afaguei o
ventre,
aguardando com
alegria
o tempo de
colher
a vida que em mim brotava.
*************
Tudo pela vida!
( Aos meus filhos Paulo Henrique e
Ana Paula)
Ser
Mãe
Ser
mãe, é amar sem fronteiras,
sem limite, é doar-se por
inteiro...
é
educar, ensinar a arte de amar e respeitar,
para
com dignidade na vida caminhar.
Ser
mãe, é bênção divina,
carinho, doçura, esplendor,
o
mais puro, intenso e sublime amor
que
Deus criou.
O
FILHO DE SUA MÃE
Jorge
Humberto
Nasceste
menina, em tempos de dificuldade,
segunda filha, a que depois se juntaram
mais quatro,
seis meninas, todas elas mães, por afinidade,
e tu, que és a
minha, de feição, foi-te o parto.
Na
pressa de crescer, por pura necessidade,
fizeste-te mulher, antes de o ser:
fiel retrato
de um Portugal, que nem tinha tempo nem idade
para ver suas
crianças crescer: real desiderato.
E,
hoje, que se cumpre, mais um dia, desse alguém,
jamais esqueço, a imensíssima
mulher,
que sempre foste pra mim: aqui, ali e inda mais
além:
gritando
pelo meu nome, que te soava tão bem,
e que por ti fora escolhido, como tudo o
que bem quer:
aquela, a mulher – e inteiramente,
Mãe.
03/05/15
AS TANTAS MÃES DO FILHO QUE
NÃO TENS
Luiz Poeta
Luiz
Gilberto de Barros – às 22 h e 30 min do dia 28 de abril de 2015 do Rio de
Janeiro, Marechal Hermes,
especialmente para o coração de mãe
da minha amada maninha Denise Moura.
"O filho biológico você ama porque é seu. O filho adotivo é
seu porque você ama."
(Luiz Schettini Filho)
Tem tantas mães o filho que
não tens...
Algumas que... apenas... geram... filhos...
Que tornam-se do
mundo, só reféns,
Como se fossem trens... fora dos trilhos.
E outras, que depois de os
expulsarem
Do aconchego...vão... onde nasceram,
Colocam-nos no lixo que
encontrarem,
...sem nem querer saber se eles morreram.
Algumas mães são mães sem
sobrenome
São filhas de outra mãe... não têm nem pai !
E os filhos que
elas têm... têm tanta fome,
Que comem qualquer sobra do que cai.
Porém mães de verdade se
alimentam
Do amor e da bondade que elas dão
Ao ser que os sentimentos
amamentam,
Quando o alimento vem do coração.
O filho abençoado que tu
queres
E que a sociedade rejeitou,
Pertence a todo tipo de mulheres
Que
o mundo marginal sempre criou.
És mãe por natureza... és
mulher
E sentes, entretanto essa dor
De quem perdeu o filho que mais
quer:
Quando tudo o que quer é dar amor.
Assim, não lutes contra o teu
destino...
Preserva tua lírica esperança
De ver no doce olhar de um
pequenino,
Teus olhos cristalinos de criança.
Luiz Poeta
Conversando com minha MÃE
Adelia Mateus
Mãezinha !
De onde a senhora está, sei
que
sabe a saudade que
sinto.
Como é difícil o meu viver sem
a
sua presença.
Vivo das lembranças do
passado...
Mulher batalhadora que
soube
me mostrar os caminhos da vida.
Tudo que sou hoje agradeço o
esforço
e sacrifício que fizeste por
mim.
Mas o que eu queria mesmo, é
ter a senhora ao meu
lado.
Sei que papai do céu a queria
ao lado dele.
E eu fico aqui chorando, sentindo sua
falta.
Os anos passam mas a saudade continua
a mesma.
O vazio que sinto é
imenso.
O que me conforta é saber que
quando
chegar a minha hora ficarei ao seu
lado.
Beijos eternos de sua
filha.
Mainha Querida
Augusta Burigo
Esta é minha
mainha querida.
Sim sim, hoje
ela é outra. Não vou dizer que ela está mais linda porque é uma mentira bem
grande.
Mainha está bem
enrugadinha.
Mas olho pra
ela e me da uma vontade de chorar. Ela está tão velhinha. Já está com 89 anos,
gente.Hoje ela vaialmoçar comigo.Estou aqui escrevendo e uma peste de uma
lágrima escorre pelo meu rosto. Disfarçadamente olho pra TV ,pra meu maridinho
não me ver debulhando. Seco tb disfarçadamente esta peste de lágrima. As vezes
me acho parecida com ela.Outras vezes ,acho que não sou sua filha.É que estou
sempre aprontando,tá? Muito ela cuidou das quatro filhas mulheres, bah! Pra
gente casar purinha ,por exemplo,tá? Sim, foi uma torturta,mas casei
purinha.
Mainha sempre
foi uma pessoa meio envergonhadinha,tá? Estudou no colégio Coração de Jesus na
capital,Florianópolis.
Casou com
painho e veio pra cidade que hoje moro.
Sempre muito
econômica , botava as quatro filhas nas tarefas da casa. Fui muito bem educada.
Antes de brincar , tinha tb a tarefa de bordar. Só brincava depois que
mostrasse a tarefa do bordado. Quantas vezes enganei mainha pra brincar! Bah!
A gente só
entrava na casa pra almoçar ,jantar e dormir. Sempre estávamos na rua ,ao redor
da casa brincando de amarelinha, boneca ou trepada nas árvores comendo
goiaba,pera e outras frutas. Estava sempre trepando................em
árvores.Antes de casar ,ela me botou uma semana na cozinha.Que raiva eu fiquei!
Ela queria que eu cortasse a cenoura assim meio enviezada. Pois hoje só corto
enviezada e realmente fica mais lindinha mesmo,né? Como fui morar na capital
assim que casei, ela preparou um caderninho de receitas. Meu caderninho ficou
pior que o avental sujo de ovo, da Ângela Maria.
Todos os dias
TODOS, ligo pra mainha .Ligo pra saber se passou bem a noite, se está bem .Dou
meu bom dia e vamos pra lida dos servicinhos da casa.
Mas sempre que
telefono pra ela, a faço dar gargalhadas . Hoje quando ela atendeu o telefone ,
eu já estava cantando e remendando a linda música da Ângela Maria.Mas eu ia
cantando e fazendo mainha rir muito, dizendo:
Ela é a dona de
tudo ( Não és mais mainha, já repartiste toda
tua herança. E ríamos)
Ela é a rainha do
lar (Somos , né )
Ela vale
mais para mim
Que o céu, que a terra, que o mar ( Mainha,
vales ,mas não tanto assim,tá?)
Ela é a palavra mais
linda
Que um dia o poeta escreveu
Ela é o tesouro que o
pobre
Das mãos do Senhor recebeu
Mamãe, mamãe, mamãe
Tu és a
razão dos meus dias
Tu és feita de amor e de esperança
Ai, ai, ai,
mamãe (aqui ela cantou junto e perguntei, tás com alguma
dor mainha?)
Eu cresci, o caminho perdi
Volto a
ti e me sinto criança
Mamãe, mamãe, mamãe
Eu te
lembro o chinelo na mão (Ah como lembro, apanhei um bocado!)
Cachorra!
O avental todo sujo de ovo (Por acaso eras doceira ,mainha?)
Se eu pudesse
Eu queria, outra
vez, mamãe
Começar tudo, tudo de novo
Ela é a dona de tudo
Ela é
a rainha do lar
Ela vale mais para mim
Que o céu, que a terra, que o
mar
Ela é a palavra mais
linda
Que um dia o poeta escreveu
Ela é o tesouro que o pobre
Das mãos
do Senhor recebeu
Mamãe, mamãe, mamãe
Tu és a
razão dos meus dias
Tu és feita de amor e de esperança
Ai, ai, ai,
mamãe
Eu cresci, o caminho perdi
Volto a ti e me sinto criança
Mamãe, mamãe, mamãe
Eu te
lembro o chinelo na mão
O avental todo sujo de ovo
Se eu pudesse
Eu
queria, outra vez, mamãe
Começar tudo, tudo de novo

O Clube de Poetas deseja a todas as mães, um feliz dia das Mães e, que recebam sempre, de seus filhos, carinho, alegrias e muito amor.